A economia comportamental

O professor norte-americano Richard Thaler recebeu o Prêmio Nobel de Economia 2017 por construir uma ponte entre análises econômicas e psicológicas da tomada de decisão individual, encontrando padrões nas decisões que podem ajudar a compreender a economia como um todo.

Em suas teorias, Thaler mostra como algumas características humanas mexem com as finanças pessoais. Entre elas: a racionalidade limitada, preferências sociais e a falta de autocontrole.

Racionalidade limitada: Trata do conceito de “contabilidade mental”, que explica como as pessoas simplificam a tomada de decisões financeiras criando contas separadas em suas mentes. Uma das reações naturais das pessoas ao deparar-se com algum problema que seja mais complexo do que outros é diminuí-lo a um modo que seja mais fácil de compreender e, muitas vezes, contenta-se com decisões que atendam as expectativas, porém pode não ser a decisão ideal. Um exemplo é a prática de comprar em prestações. Quem compra em prestações só pensa no valor da parcela ou então vê menos problemas em ter vários gastos pequenos que comprometem o orçamento no fim do mês. Inclusive o IPO verificou que, 65,8% dos gaúchos, estão com mais dificuldades em pagar as contas fixas, em comparação ao ano de 2016.

Preferências sociais: As preferências sociais se dão através do que as pessoas acham justo, este conceito está relacionado a maneira como as pessoas estão dispostas a gastar o seu dinheiro. Alguns estudos mostram que pessoas estão dispostas a pagar mais para manter acordos que considerem justos ou punir quem quebre regras. É o caso de um vendedor de guarda-chuvas que aumenta o preço durante a tempestade tende a ser malvisto pelo comprador, que pode querer boicotá-lo em outras situações.

Falta de autocontrole: As pessoas relutam em poupar hoje, mas aceitam guardar parte dos seus rendimentos futuros para a aposentadoria. Thaler demonstrou como analisar problemas de autocontrole usando um planejador que é semelhante a alguns métodos utilizados na neurociência e psicologia, onde se faz uma análise das tensões internas atuais e o que deve ser planejado para melhorias futuras: Onde estamos agora? E o que vamos realizar? Isso é muito comum em período de ano novo, em situações que as pessoas acabam caindo nas tentações de curto prazo, adiando ou deixando de lado outras ações que gostariam de concretizar.

Outro exemplo demonstrado através de resultados de pesquisas realizadas pelo IPO, em setembro de 2017, demonstra que mais da metade dos gaúchos (57,3%) não quer que a previdência seja terceirizada, pois acreditam que a mesma é uma responsabilidade do Estado, o que garante a possibilidade a cada indivíduo em se preocupar com o hoje e deixar a responsabilidade do amanhã para o Estado.

As pesquisas sobre comportamento do consumidor realizadas pelo IPO utilizam estas lógicas de análises para explicar o comportamento do consumidor e auxiliar empresas na elaboração de estratégias mercadológicas e, também, empregam testes de conceitos comportamentais (autoclassificação) a fim de identificar o tipo de comportamento: inovador, racional ou afetivo.

 

NEXO JORNAL. O que deu a Richard Thaler o Nobel de economia em 2017. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/10/09/O-que-deu-a-Richard-Thaler-o-Nobel-de-economia-em-2017>  Acessado em 17 de outubro de 2017

 

Munique Fernandez. Analista de pesquisa. Psicóloga especializada em gestão de talentos, atua na análise de estudos comportamentais. Responsável pelo processo de digitalização da coleta de dados do IPO, preocupa-se com a validação dos dados de forma georreferenciada. Atuou na análise de dados de clientes como Univates, WRI, UCS TV, Shopping Pelotas, Banrisul, entre outros.

 

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