A esperança estimula o sentimento de superação

A pandemia mexeu com as nossas emoções. Passamos por uma montanha-russa de sentimentos. Desde o começo da pandemia, as pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião monitoram a oscilação do humor da sociedade.

Passamos por vários estágios emocionais. Em cada momento da pandemia uma palavra se destacou. Começamos vivenciando a sensação de “preocupação” constante, tivemos que lidar com a sombra do “medo” até a “esperança” ocupar o seu espaço e abrir caminho para o sentimento de “superação”.

 No primeiro estágio, em março de 2020, a palavra que mais ouvíamos da população era “preocupação”. As pessoas se preocupavam com tudo, começando com a tentativa de entender o que significava o “fique em casa”. Era um mundo de incertezas, um momento em que o entrevistado queria mais perguntar do que responder.

Quando as UTIs passaram a ficar lotadas, as mortes sendo estampadas em gráficos crescentes e as imagens das inúmeras vítimas da Covid-19 sendo transmitidas em todos telejornais, entramos no segundo estágio do pavor, a palavra “medo” começou a ecoar.

Essa palavra se tornou tão intensa que chegaram a ser criados indicadores de medo e as pesquisas nacionais passaram a divulgar a taxa de medo da população. Em março de 2021 esse era o sentimento de 7 em cada 10 brasileiros.

Nesse momento, o medo tinha muitas representações e era externado de várias formas. Medo de sair à rua, medo de contrair o vírus e precisar de uma UTI, medo de morrer, medo de não conseguir trabalhar e pagar as contas, medo de não ter o que comer, medo de ficar ansioso, medo de assistir ao noticiário, medo do futuro. Era um momento em que o entrevistado não queria mais perguntar, queria falar, queria dizer o que sentia, queria contar os seus medos.

Em julho de 2021 começou o terceiro estágio, com a “esperança” se tornando a palavra da moda. E o sentimento foi se alterando quando os noticiários passaram a dar menos destaque para os gráficos da infecção e mostraram com entusiasmo os gráficos do avanço da vacinação. Quando as medidas restritivas passaram a ser substituídas por decretos de flexibilização. Nesse momento, o sorriso atrás das máscaras aparecia nos olhares dos entrevistados.

Com a esperança em voga, as entrevistas passaram a ser cada vez mais longas. Mesmo que a pesquisa fosse sobre produtos pets, o entrevistado queria falar sobre o quanto o seu pet foi importante na pandemia. Que mesmo com dificuldades financeiras, aumentou o consumo de produtos pets e que agora ele acreditava no futuro, pois estava com a primeira dose da vacina, sinalizando que logo poderia sair e passear com o seu pet, mostrá-lo pessoalmente para amigos e familiares.

Com a segunda dose chegando para a maioria da população, observa-se um novo ciclo, o da “superação”. As análises de conteúdo realizadas pelas pesquisas qualitativas indicam que o termo vem mudando a nuvem de palavras, diminuindo a força do “medo” e ampliando a “esperança”. Cada entrevistado traz a ideia de superação de um jeito ou para uma meta, de acordo com a sua realidade.

A sociedade está com um novo humor, pode-se dizer que começa a ficar de bom humor!

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