A insegurança altera o cotidiano

 

A crise na segurança é uma das crises que mais tem impactado a mudança dos hábitos em sociedade. A sensação de insegurança somada as notícias e registros de violência acarretam na transformação da rotina das pessoas, das famílias e da estrutura social como um todo.

Mas na compreensão do imaginário social sobre as causas da criminalidade se verifica a intrínseca relação entre a sensação de insegurança com as três principais crises da atualidade: econômica, política e social. Uma influencia a outra.

Um exemplo para elucidar essa análise está na primeira pesquisa de Vitimização realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em Porto Alegre no final de 2017.

A população, ao ser questionada sobre as principais causas da criminalidade, aponta fatores que estão associados à percepção sobre a conduta política e de gestão dos governos e governantes, tendo em vista que a pesquisa verificou os seguintes resultados:

  • Mau exemplo dado por políticos e governantes = 54,9%
  • Impunidade ou penas muito leves = 42,1%
  • Presídios superlotados que funcionam como escolas do crime = 30,0%
  • Tráfico de drogas = 26,1%
  • Desemprego = 22,9%

Os resultados indicam três campos de raciocínio:

a) A lógica política = a influência do jeitinho brasileiro, presente na conduta dos políticos e que faz uma ponte para corrupção. Os políticos devem ser farol moral para a sociedade, se isso não ocorre abre caminho para que todos os escalões governamentais se corrompam.

b) A lógica social = a sensação de impunidade que fomenta a falta de crença nas instituições, ampliando o individualismo.

c) A lógica econômica = que é percebida tanto pelo desemprego, quanto pelo mercado do tráfico de drogas, que alicia a população que está à mercê das políticas públicas.

Os dados das pesquisas demostram que a população almeja um pensar coletivo, que trate a solução dos problemas de forma integrada, com políticas públicas não apenas pensadas para o problema fim, mas para as causas que fomentam e alimentam as crises, subvertendo a lógica perversa instalada na estrutura social, com bons exemplos e práticas que visem o todo.

 

Gisele Rodrigues, gerente de pesquisas do IPO, é a cientista social que conhece holisticamente o processo de investigação. Gerencia a equipe em termos de planejamento, execução e análise. Com mais de uma década de experiência em pesquisa, já coordenou os mais variados projetos quantitativos e qualitativos.

 

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