A inversão da pirâmide etária e a reforma da previdência

 

Atualmente, escuta-se muito sobre o envelhecimento da população brasileira, que é demonstrado através pirâmide etária, expressa por gráfico que identifica a população de um dado país ou região, agrupando os habitantes em faixas de idade e dividindo-os por sexo.

Com base nas informações do IBGE, verificamos que o Brasil nos últimos anos alterou seu padrão demográfico, ou seja, deixamos de ser um país com a maioria da população composta por crianças e adolescentes e passamos a ter um número maior de idosos.

Esta alteração no padrão etário iniciou-se a partir dos anos 1940, e acentuaram-se após a década de 1960, com as famílias tendo menos filhos e a medicina utilizando-se da tecnologia para tratar as pessoas com mais idade.

Como resultado desse fenômeno, temos redução na taxa de crescimento populacional e o envelhecimento da população que teve sua expectativa de vida aumentada.

Com base nos resultados Censo de 2010 identificou-se as tendências de crescimento da população brasileira, analisando a evolução de dados entre os anos de 1980 e 2010. A análise das pirâmides mostra o estreitamento da base, em função da diminuição dos níveis de fecundidade, e o alargamento do topo, decorrente da redução dos níveis de mortalidade.

            Observa-se um processo de amadurecimento dos habitantes do país e um consequente aumento da população mais velha. Antes, pessoas com mais de 80 anos era algo extremamente raro, atualmente isso vem se tornando cada vez mais comum.

          E esse é o real motivo por estarmos falando tanto em pirâmide etária, pois com uma população com pessoas mais idosas teremos um contingente maior de pessoas aptas a ser aposentarem e um número menor de jovens trabalhadores.

         Então a pergunta inquietante é: de onde virá o dinheiro para o pagamento de novas aposentadorias?

        Segundo o site oficial da nova previdência*, como a população idosa tem crescido rapidamente, o sistema, com as regras atuais, caminha para a insustentabilidade. No ano 2000, a proporção era de 11,5 pessoas em idade ativa (de 15 a 64 anos) para cada idoso (de 65 anos ou mais) no País. Em 2020, essa proporção deverá cair para 7 e, em 2060, para 2,35. Tal situação obriga o governo a propor a nova proposta da reforma da previdência.

            Outros países já passaram por este processo e uma das principais soluções foi a reforma de suas previdências que aumentou as idades mínimas de aposentadoria, e média, de 60 para 62 anos e de recebimento de pensão integral de 65 para 67 anos.

            Segundo o presidente do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Eduardo Pereira Nunes, o Brasil ainda tem algum tempo para fazer as mudanças, mas advertiu que “o futuro chega”. E quanto antes o país de adaptar à nova realidade menos perdas deverão ocorrer, ou chegará ao ponto que não haverá como todos os aposentados receberem pensão. Se o país não enfrentar o problema, corre o risco de viver um processo semelhante aos outros países que passaram pelo mesmo processo do aumento da longevidade de sua população.

*Para maiores informações sobre a nova proposta de reforma da previdência consulte:

http://www.brasil.gov.br/novaprevidencia/noticias/por-que-o-brasil-precisa-da-nova-previdencia

 

Usiara Britto. Utiliza seus conhecimentos da ciência estatística para garantir que o plano amostral planejado seja executado. Se relaciona com as equipes de coleta e garante que a execução esteja alinhada ao projeto de pesquisa.

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