A polarização amplia o jeitinho brasileiro.

Tanto a história quanto a nossa experiência de senso comum sabe que a polarização, a tensão ou as brigas contínuas aumentam a desunião e são um mau exemplo.
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No âmbito doméstico, as coisas não acabam bem quando “marido e mulher” vivem em “pé de guerra” e sabe-se que esse conflito pode deixar muitas marcas emocionais nos filhos, comprometer o desenvolvimento financeiro e o bem-estar de toda a família.
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Quando a polarização ocorre em uma sociedade empresarial, a novela é muito similar e passa por vários estágios. O primeiro fenômeno é a divisão, os colaboradores se dividem em grupos (os que apoiam um lado, os que apoiam o outro lado e os que são indiferentes ao conflito). Em seguida, com o acirramento da disputa, se perde o foco, o propósito. Na sequência, o atendimento dos interesses específicos ativa o jeitinho e encaminha para a permissividade dos desvios e roubos.
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É de conhecimento público que a máxima “a palavra convence, o exemplo arrasta” vale para o bem ou para o mal. Temos que estar atentos aos efeitos da polarização política no nosso cotidiano.
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A descrença com os políticos afeta a confiança em todas as instituições. O poder judiciário também recebe o rebote desse fenômeno comportamental. Há muita desconfiança da população em relação ao sistema judiciário de uma forma geral. Com a judicialização da política, o Supremo Tribunal Federal acabou ganhando um papel de destaque e, atualmente, a população conhece mais os Ministros do Supremo do que os Ministros de Estado.
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A desconfiança da população em relação ao judiciário está relacionada a um sentimento histórico de injustiça e de impunidade e tem sua raiz na premissa atrelada ao jeitinho brasileiro que apregoa que “para os amigos tudo, para os inimigos os rigores da lei”. Sim, os problemas de confiança na justiça brasileira estão associados ao jeitinho brasileiro.
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O jeitinho se alimenta da distância entre a lei e a realidade social. Da “lei que não pega”, da lei que não tem fiscalização, da lei que é feita por um propósito político. O jeitinho também se utiliza das brechas da lei, da morosidade do judiciário, das fraudes processuais ou da dificuldade de acesso ao sistema.
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O jeitinho é a capacidade de resolver problemas ou tarefas utilizando subterfúgios, burlando regras, utilizando-se de redes de relacionamentos e se constituindo como uma forma de “levar vantagem” em cima de alguém.
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Esse breve resgate sobre a cultura política vigente alerta para a tendência natural do efeito da polarização política: o aumento da percepção negativa sobre as instituições e a predisposição do desrespeito, da revolta e da desesperança.
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A fórmula é simples, quanto maior é a confiança nas instituições, maior o sentimento de pertencimento com o exercício da cidadania e a sujeição aos direitos e deveres. Ao contrário, quanto menor é a confiança nas instituições maior o estímulo ao individualismo, à busca pelos interesses pessoais, aos conchavos e aos esquemas movidos pelo jeitinho brasileiro na busca de um resultado.
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Tanto um casal como os sócios de uma empresa não vão concordar com tudo. Portanto, a discordância é algo muito normal em um regime democrático. E, em qualquer ambiente, deve haver o respeito mútuo e a tentativa de construir um projeto comum que busque o bem de todos.
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