A política é maior do que a política partidária

Imagine o cotidiano dos entrevistadores de um instituto de pesquisa: bater na casa das pessoas e perguntar sobre seu interesse por política e seus hábitos de conversar sobre política. É uma tarefa ingrata. No primeiro estágio da entrevista, o entrevistador tem que ouvir a maior parte das pessoas reclamando dos políticos, dizendo que eles prometem e não cumprem, se beneficiam com o poder e “vivem ferrando” a população.

Quando termina o estágio do xingamento, o entrevistado começa a demonstrar o seu desconhecimento sobre as decisões políticas que afetam a sua vida.

Precisamos ter consciência desse fenômeno cultural que gera um ciclo vicioso e atinge a maior parte dos cidadãos: a negação da política gera a desinformação e a falta de informação amplia a negação com a política. É mais ou menos aquele ditado popular: “não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”.

Não é à toa que já escrevi vários artigos sobre a necessidade de salvarmos a política. E quando falo salvar a política não estou falando de salvar a política partidária. Estou falando no exercício da cidadania, de conhecermos os nossos direitos, de pesquisarmos o que os governantes estão fazendo, de acompanhar as mudanças das leis, de debatermos, de termos uma posição sobre um assunto, sobre uma ideia.

Significa que temos que nos envolver na vida pública e saber que temos uma liberdade pessoal e que a nossa liberdade pessoal não pode prejudicar o bem comum, que é o bem de todos. Para salvarmos a política temos que ter informação e nos envolvermos de alguma forma.

Peraí, quem não gosta de política e continua lendo esse artigo já deve estar me xingando, dizendo que é muito fácil falar, mas que na prática não funciona assim. Vai dizer que as entidades representativas (como associações de bairro, de classe, sindicatos, ONGs e/ou partidos) “tem sempre as mesmas pessoas, que elas são donas da verdade, fazem tudo como querem e na maioria das vezes estão a mando de um político”.

De um lado irei concordar, reafirmando que há muitas entidades que estão viciadas, que perderam o seu propósito. Mas de outro, irei defender a premissa de que precisamos nos informar, nos posicionar como cidadãos e ir se envolvendo com os problemas de nossa rua, com o nosso bairro, com a escola de nossos filhos e com a nossa cidade.

Ah, se você não gosta de se envolver com pessoas no mundo real, o mundo digital traz muita informação. Por exemplo, o site www.meumunicipio.org.br nos mostra todas as informações sobre a nossa cidade. Em 2017 a cidade de Pelotas tinha um nível de investimento de 8,81% enquanto que a cidade de Rio Grande tinha 2,94% para investir em melhorias.

Você também pode baixar um aplicativo e acompanhar o trabalho do seu deputado, APP Meu Deputado. E se você quer ver onde estão os problemas da sua cidade ou marcar um buraco na sua rua, tem o APP Colab, que defende que “fazer uma cidade melhor está na sua mão”.

Para quem se preocupa com a construção e a fiscalização de creches e escolas tem o APP Tá de Pé, que é mantido pela Transparência Brasil e parte do pressuposto que “a cobrança move a obra”.

Se você der um Google poderá ver outros tantos sites e aplicativos que podem te ajudar a se informar sobre a política, sobre tudo o que acontece no nosso dia a dia e que interfere em nossa vida.

Ah, se ativarmos o envolvimento da população com a política, redesenhamos a política partidária desse país.

 

Foto: Alex Borgmann

 

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