A tendência de retomada do consumo

A população “olha para um lado, olha para o outro” e tem dúvida sobre a flexibilização das restrições e a retomada do dia a dia. Continua-se vivendo sob a égide da dúvida e com uma baita vontade de normalidade.

É nesse contexto que o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião tem escutado a população, em especial, os consumidores.

Na prática, a pandemia mexeu com os “aguapés” do mercado consumidor e está ocasionando três fenômenos, que devem interferir na tendência de consumo de curto prazo:

a) diminuição de consumo pela precarização financeira = 1/3 dos gaúchos teve impacto mais severo na renda familiar. Estamos falando de uma diminuição de metade da renda das famílias. Esse impacto afeta mais diretamente os consumidores de baixa renda, população com renda familiar de até 5 salários mínimos. Trata-se de trabalhadores informais, empreendedores e pessoas que perderam o emprego. Esse público está tentando se reorganizar, se restabelecer, mas tende a manter-se na redução de gastos até que a sua situação financeira melhore.

b) tendência de ampliação do consumo = no lado contrário, em torno de 50,0% de consumidores gaúchos não tiveram impactos em sua renda familiar e estão com muitas demandas represadas. A principal delas é o lazer! São pessoas que desejam consumir eventos, cultura e, principalmente, viajar. Como fizeram uma economia compulsória, estão ávidos por investir em momentos únicos, em experiências que motivem a sensação de prazer e tragam sentimento de “normalidade”.

Cada grupo social ou etário tem um desejo específico. A pandemia limitou muitas coisas corriqueiras, como ida ao shopping, ao cinema, comemorações em família, cuidados com a beleza e passeios. A compra em loja física e utilização de bares e restaurantes também está no rol de desejos.

O público que mais utilizou a internet para realizar as suas compras durante o crescimento da infecção da Covid é o que mais tende a realizar compras presenciais, diante da perspectiva de diminuição de incidência do vírus.

c) tendência de minimalismo = os consumidores com um comportamento mais racional (de custo X benefício) ou adeptos ao consumo consciente fortaleceram suas premissas durante o isolamento social proporcionado pela pandemia. Perceberam que, efetivamente, podem viver com menos, limitar seus gastos e otimizar os recursos. Representam 15,0% dos gaúchos e tendem a diminuir o seu consumo. Reviram conceitos em torno do preparo de alimentos e da relação com a família e meio ambiente. Também estão repensando o trabalho home office, o local de moradia e a disposição da área privativa do imóvel. Cerca de 1/5 dos consumidores tende a rever os seus hábitos de consumo, alguns com tendência de diminuição e outros com a expectativa de realizar novas experiências de compra, utilizar outros tipos de serviço.

Pensando no próximo semestre, deve ocorrer dois movimentos simultâneos:

1) uma diminuição do poder de compra da população de baixa renda, resultando na diminuição de produtos e serviços que não sejam essenciais.

2) uma ampliação de consumo, entre a população com renda fixa e maior poder aquisitivo. Incluindo, a ampliação de produtos e serviços especializados e que estimulem jornadas de compra que proporcionem experiências positivas, que tragam encantamento (surpreendam o consumidor, mantendo os protocolos de segurança).

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https://www.coletiva.net/colunas/a-tendencia-de-retomada-do-consumo,378097.jhtml

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Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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