Ações para combater a desigualdade educacional

Nos últimos dois artigos relatei os principais resultados da pesquisa realizada no RS, denominada: “Os impactos da pandemia na educação: prioridades e expectativas dos gaúchos sobre medidas legislativas emergenciais na área da educação”. O relatório da pesquisa está disponível no site da Assembleia Legislativa.
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Além de compreender as principais “dores” dos pais com filhos na educação básica, a pesquisa teve a prerrogativa de mapear as sugestões de regramento ou leis para a área da educação, pensando também no pós-pandemia.
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Baseada em sua experiência durante a pandemia, os entrevistados indicaram normativas e/ou políticas públicas a serem instituídas no Estado. Seus relatos e perspectivas foram sistematizados e permitem extrair alguns aprendizados importantes.
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O primeiro aprendizado resgata o maior dano da pandemia: a ampliação da desigualdade educacional gerada pelas aulas remotas. Na atual realidade, pode haver diferença gritante de aprendizados dentro da mesma escola, entre alunos de uma mesma turma (cenário onde uns aprendem um pouco, outros quase nada e outros nada). Nesse contexto, se fazem necessários diagnósticos avaliativos dos aprendizados das turmas e o estabelecimento de ações que consigam corrigir os déficits de conhecimentos dentro de uma mesma turma.
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O segundo ensinamento da pesquisa alerta para a necessidade de olhar para a infraestrutura física e tecnológica disponível para a educação. Os entrevistados sinalizam que deve haver uma legislação para definir um fundo permanente de manutenção das escolas e investimentos em equipamentos e internet, para que as aulas híbridas sejam mais inclusivas.
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A terceira lição diz respeito à necessidade de autonomia para o professor. A pandemia mostrou para os pais que os alunos precisam de disciplina para manter o foco em uma realidade que propõe uma educação híbrida, entre a aula remota e presencial.
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Como o professor disputa a atenção do aluno com a tecnologia, será necessário o estabelecimento de um protocolo compartilhado com os pais. O aluno precisa ter a orientação de quando a tecnologia pode ser usada para entretenimento/diversão e quando a tecnologia deve ser usada para busca do conhecimento.
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O quarto aprendizado da pesquisa está associado ao reconhecimento do papel do professor. A pandemia aguçou a percepção de que os professores são primordiais para o desenvolvimento e socialização das crianças e adolescentes. Na verdade, muitos pais sentiram mais saudade das aulas presenciais do que seus filhos. Diante desse contexto onde a dor ensina a gemer, a população indica que haja uma política de motivação, reconhecimento e incentivo financeiro à categoria. Devemos valorizar a profissão que forma todas as outras profissões.
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A retomada da educação necessita de um plano customizado de recuperação, com aulas de reforço personalizadas para cada caso. Será necessário revisitar as principais lacunas para minimizar as perdas. O desafio é imenso e teremos que dar estrutura física e tecnológica para os professores, com o devido apoio psicológico e motivacional.
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