Como funcionam as pesquisas amostrais de opinião?

Como gerente de pesquisas do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, sempre que falo que trabalho com pesquisas tem alguém que comenta: entrevistam algumas centenas de pessoas e dizem que a população pensa tal coisa, que a opinião da população é tal… E completam: como podem entrevistar um número tão pequeno de pessoas e dizer que representam o todo?

Respondo com outra pergunta: Como podes tirar alguns mililitros de sangue para fazer um exame de sangue e o receberes o resultado que está tudo bem com o teu organismo ou que tem algum problema que deverá ser tratado?

O que quero dizer? Quando vais fazer um exame de sangue, não precisas tirar todo o sangue para saber como o sangue está, correto? Se tira uma amostra, nas condições ideais indicadas pelo técnico (geralmente jejum de X horas, ou alguma restrição alimentar) e aqueles poucos ml’s informam as condições de todo o teu sangue. A mesmo ocorre com as pesquisas amostrais: eu não preciso entrevistar toda a população para saber como ela se comporta, basta que, eu como técnica, indique as condições ideais para coleta desta amostra (elencando as referências que devem ser seguidas de acordo com cada realidade estudada).

Na prática, fazendo um exercício hipotético: se eu tenho que a população de uma cidade com 100 mil eleitores que é composta por 48% de homens e 52% de mulheres; tem 18% de 16 a 24 anos, 18% de 25 a 34 anos, 20% de 35 a 44 anos, 27% de 45 a 59 anos e 17% acima de 60 anos; onde 30% moram da região A, 40% na região B, 15% na região C e 9% na região D e 6% na região Rural. Na pesquisa, a amostra de 400 casos, por exemplo, precisa seguir essas mesmas proporções de entrevistados, para que possamos assim, fazer inferência e analisar o comportamento da amostra que está sim, representando o todo.

O plano amostral elaborado pelo estatístico, profissional que tem a responsabilidade pelos desenhos amostrais das pesquisas, é o primeiro passo para uma pesquisa que retrate a realidade do público ou segmento que se busca conhecer.

O IPO, aliando a expertise de diferentes profissionais oferece aos seus parceiros muito mais que um exame de sangue ou um raio X da realidade. Nossos cientistas fazem uma ressonância, ainda na analogia com os exames clínicos, do problema de pesquisa que se investiga. Buscando para além da investigação dos números, a compreensão dos fenômenos, dos porquês, dos simbolismos que elucidam os dados das pesquisas de opinião.

 

Gisele Rodrigues, gerente de pesquisas do IPO, é a cientista social que conhece holisticamente o processo de investigação. Gerencia a equipe em termos de planejamento, execução e análise. Com mais de uma década de experiência em pesquisa, já coordenou os mais variados projetos quantitativos e qualitativos.

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