Desenvolvimento econômico versus preservação ambiental na era do Antropoceno

É sabido e perceptível que a humanidade passa por profundas transformações: socioculturais e ambientais. A inventividade humana transforma de forma profunda o ambiente, as culturas e até as relações sociais. A criação de novas tecnologias cada vez mais potentes, capazes de encurtar distâncias e tempos é um dos fatores de maior impacto na transformação social.

No Museu do Amanhã, na cidade do Rio de Janeiro, as interações e reflexões sobre o mundo em que vivemos e o mundo que teremos no futuro, registram que na história geológica do planeta, a ação dos humanos se tornou tão impactante que muitos pesquisadores defendem um novo período geológico, o Antropoceno.

Nesta nova era, se observa que diversos sistemas já mostraram sinais de desgaste em escala global, comprometendo a estabilidade climática. E isso muito em função da busca por aumentar a produção e o lucro a todo custo. A reflexão sobre o Antropoceno instiga sobre os caminhos que a sociedade seguirá nos novos tempos.

Diante dessas reflexões, o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou pesquisas qualitativas com formadores de opinião e população de algumas cidades no Estado do Rio Grande do Sul, sobre o dilema do crescimento econômico X preservação ambiental, fazendo o seguinte questionamento:

Em relação ao dilema: crescimento econômico do país X preservação ambiental, como o(a) Sr.(a) avalia esta relação? Podemos ter desenvolvimento econômico e preservação ambiental? Os dois podem andar juntos? Por qual motivo tem esta opinião?

A análise das respostas a esse questionamento nos apresenta dois tipos de comportamentos: os equilibrados e os ambientais.

1) Os equilibrados: são a maioria. Percebem que o crescimento econômico do país e a preservação ambiental podem ocorrer de forma simultânea. E essa percepção é alicerçada com os seguintes argumentos:

  • Pelas ações compensatórias: medidas que suavizam o impacto ambiental causado pelo desenvolvimento econômico, ações como plantios de árvores, preservação de nascentes de rios, etc;
  • Desenvolvimento de formas alternativas de plantações: agricultura sustentável, utilização de insumos orgânicos, insumos agroecológicos;
  • Fiscalização: a necessidade de os órgãos competentes fiscalizar e punir quem não cumpre as determinações legais de preservação ambiental;
  • Novas tecnologias: percebem que atualmente os avanços tecnológicos ajudam a preservar o meio ambiente.

 

2) Ambientais: não são radicais contra o desenvolvimento, mas argumentam que não percebem que seja possível o desenvolvimento econômico com preservação do meio ambiente.

Justificam essa opinião alegando que quando o “lucro” é colocado em risco, as tomadas de decisões não dão a atenção necessária ao meio ambiente, e este fica preterido em relação ao desenvolvimento. E com um olhar mais negativo sobre o dilema, registram que é preciso ter preocupação com futuras gerações, construindo condições ambientais para o planeta.

Mais do que nunca é necessário pensar o mundo que temos e o que queremos, pois somos os atores nessa era do Antropoceno. E você, já pensou qual a sua opinião sobre o dilema crescimento econômico versus preservação ambiental? Podemos ter desenvolvimento econômico e preservação ambiental?

 

Gisele Rodrigues, gerente de pesquisas do IPO, é a cientista social que conhece holisticamente o processo de investigação. Gerencia a equipe em termos de planejamento, execução e análise. Com mais de uma década de experiência em pesquisa, já coordenou os mais variados projetos quantitativos e qualitativos.

 

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