Em quem você confia mais?

Vou começar esse artigo complementando a pergunta: você confia mais nas informações compartilhadas por seus amigos e familiares ou naquelas compartilhadas por figuras públicas, como celebridades ou políticos?

Pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião indicam que a resposta da maioria da população a essa pergunta explica uma nova tendência: a micro influência. E essa nova tendência é resultante de um processo de mudança na comunicação.

Impulsionada pela ampliação do digital, a comunicação se transformou e irá mudar mais ainda. E a mudança no processo de comunicação se reflete em uma mudança social, tendo em vista o impacto que tem gerado nas relações, no posicionamento, na forma como as pessoas se expressam. Vivemos uma mudança de conceitos.

Mudaram as vozes e a potência da comunicação. Há menos de uma década haviam poucos emissores (pessoas falando) e muito receptores (pessoas ouvindo). Atualmente há muitos emissores (pessoas falando) e muitos receptores (pessoas ouvindo), e com isso se configura o fenômeno da micro influência: a comunicação realizada em uma escala menor, com alto engajamento nas redes de relações.

Na prática é mais ou menos assim: antes tínhamos a televisão, rádio e jornal e ficávamos passivos, recebendo a informação. Hoje há muitos canais, recebemos informação por vários lados e também produzimos, toda hora estamos postando o que fazemos, onde estamos ou contando o que vimos.

Mas qual o impacto dessa mudança para as marcas?

Esse novo contexto indica que é necessário pensar os microcosmos, e os interlocutores de cada grupo ou segmento. Estou falando de influenciadores digitais, de youtubers, mas também de pessoas simples e com credibilidade que impactam a sua rede de relações.

Antes de pensar em gerar informação é preciso pensar como as relações estão estabelecidas, identificando os influenciadores ou pessoas comuns que se relacionam com determinada marca ou emitem determinada opinião política.

Se no mundo real, as pessoas preferem “ouvir” umas às outras. O mundo virtual é uma ampliação do real, no qual as pessoas querem ouvir ou acompanhar as pessoas que são conhecidas ou admiradas. A potência da micro influência é ativada como a familiaridade, com a verdade, com posicionamento que dialogue com um tema específico.

Nesse novo cenário as marcas precisam ter essência, precisam passar uma mensagem que seja simples, mas que faça sentido. E precisam dialogar com esses vários microcosmos, para que as pessoas troquem informação entre si e confiem na proposta de valor da marca. E quem confia, compra!

 

Gisele Rodrigues. É a cientista social que conhece holisticamente o processo de investigação. Gerencia a equipe em termos de planejamento, execução e análise. Com mais de uma década de experiência em pesquisa, já coordenou os mais variados projetos quantitativos e qualitativos.

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