Nunca foi tão difícil tomar decisões

Tomar uma decisão nunca é fácil! Na maioria das vezes, tomar uma decisão significa escolher um caminho. E num momento de incertezas, como o que estamos vivendo, tomar uma decisão é muito mais difícil.

Qual a melhor decisão a ser tomada em um momento de incertezas? Essa é a grande pergunta!

Esse questionamento perpassa os gestores públicos, que desde março estão tomando decisões sobre medidas restritivas de isolamento ou distanciamento social. Precisam decidir com base em informações preliminares, em projeções, tendências e com muitos riscos.

Desde o começo da pandemia, há duas grandes teses em debate, dois diferentes caminhos em relação às medidas restritivas de combate à Covid-19: a intervenção vertical e a intervenção horizontal. A diferença entre elas está associada ao nível de isolamento social ou a quem deve ser isolado.

A intervenção vertical apregoa que apenas alguns grupos fiquem isolados, em especial, os grupos de risco. A ideia é que as pessoas sejam contaminadas e com a contaminação a maioria irá ganhar imunidade, desenvolver anticorpos para o vírus. Essa tese está associada à defesa da economia, com o argumento de que não se pode parar o Brasil.

A intervenção horizontal prevê que a maioria deve permanecer em isolamento, para retardar o tempo de contaminação. Nessa lógica, a contaminação irá ocorrer ao longo do tempo, permitindo a melhor assistência de saúde possível. Dentro dessa tese se estabelecem os “lockdowns” que fecham cidades, determinam regras mais duras e até toque de recolher.

Esse grupo defende que as ações de intervenção horizontal, que visam o isolamento e o distanciamento social controlado, devem se manter o máximo de tempo possível, com o objetivo de reduzir o número de mortes e, quem sabe, ganhar tempo até o desenvolvimento de uma vacina.

Na prática, ficamos assistindo aos políticos defenderem as suas ideias como se um estivesse com a razão e o outro não. O mais correto é que se “coloque na mesa” os riscos de cada decisão.

Tem-se os impactos econômicos que precisam ser debatidos mas, principalmente, quais são as projeções de números de mortos que cada medida pode provocar? Estamos falando de tentar entender melhor o que a tese dos governadores defende e o que a tese do presidente defende?

E a dificuldade de uma decisão cria um efeito cascata, dificultando decisões em todo o país. Diante da falta de clareza sobre qual discurso político está correto e sem certezas sobre o tempo de isolamento e os riscos que temos pela frente, cria-se impasses e limites para tomada de decisão da sociedade como um todo.

Pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião sobre a tendência de reação do mercado e da sociedade demonstram que as pessoas estão inseguras para tomar decisões que envolvam investimento financeiro ou até mesmo trabalhos que envolvam pessoas.

As dúvidas são muitas, de toda ordem. Quase 1/3 da população trata o ano como perdido, tem a ideia de sobreviver financeiramente, inclusive projetam a possibilidade de perda escolar dos filhos, com o argumento de que se as aulas voltarem, não mandarão seus filhos.

Quando os entrevistados se colocam no lugar de consumidores, a ideia é consumir o menos possível. Os empreendedores são os mais preocupados, e declaram a tendência de limitar toda e qualquer ação de expansão.

Na prática, quanto maior forem nossas incertezas, maior será a nossa dificuldade de tomar uma decisão!

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