O brasileiro está cansado!

O brasileiro está cada vez mais cansado com a política e com o noticiário. A população está cada vez mais triste, ansiosa e depressiva. As pessoas estão preocupadas e com medo!

O cenário de Coronavírus amplia todos os problemas históricos do país. Na prática, “tudo o que era ruim ficou pior”. Mais dificuldade de acesso à saúde, dificuldade de se fazer um exame ou até de ser atendido por um médico.

O Coronavírus dificulta ou impede o trabalho dos empreendedores, aumenta o número de desempregados e deixa os trabalhadores informais sem condições de trabalho. E o agravamento da situação econômica atinge em cheio toda a sociedade, mas agrava principalmente a situação da população mais vulnerável.

Na prática todo mundo está perdendo: há uma diminuição do poder de compra e um decréscimo das posições sociais. Quem era classe média, do ponto de vista de consumo, se comporta como classe baixa. Quem era de classe baixa fica com uma situação de consumo de classe pobre, e quem era pobre, hoje vive uma situação miserável.

Cada pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verifica o grau de preocupação da sociedade, diante de um cenário com ampliação das dificuldades e de muitas incertezas com o futuro. As dores sociais foram ampliadas e disputam espaço com o medo.

Nessas entrevistas constata-se que a maior indignação está associada à situação política do país. A população afirma que está cansada, saturada com os políticos corruptos e que é inaceitável a corrupção crescer junto com a pandemia. Muitos entrevistados afirmam que dinheiro desviado de hospital de campanha e respiradores, deveria ser considerado como crime contra a vida ou a humanidade.

A maioria da população se classifica como desanimada, frente à instabilidade da política brasileira. A maior parte não concorda com a tendência de campanha eleitoral permanente, onde grupos defendem o presidente e outros são contra.

O desejo da maioria da sociedade é por um plano de ação integrado entre presidente, governadores e prefeitos. Um projeto de país, de Estado, que ajude a proteger os brasileiros da Covid-19, que consiga minimizar a perdas econômicas e diminuir os impactos das mazelas sociais.

Grande parte dos entrevistados tem consciência de que a pandemia irá impactar severamente na economia e que todos irão perder economicamente. Os entrevistados consideram 2020 como um “ano perdido”, no qual o objetivo é sobreviver fisicamente e economicamente.

Essa percepção de ano perdido é mais intensa quando o tema é educação, e há o desejo de que os gestores públicos tenham sensibilidade para redesenhar o futuro da educação, minimizando as perdas das crianças e adolescentes. A maior preocupação é de pais de alunos que estão em fim de ciclo: tanto do ensino fundamental como no médio.

Além de estarem exaustas com a política, as pessoas também se mostram cansadas com o noticiário. Em média, 1/3 da população está evitando o noticiário. Afirmam que é assustador a combinação da pauta que trata da Covid-19 associada às denúncias contra políticos corruptos ou oportunistas, que visam o seu interesse pessoal (usando o jeitinho brasileiro para beneficiar familiares e amigos).

Mas, como dizem, o brasileiro não desiste nunca e 53% dos brasileiros afirmam que têm mais esperança do que medo. É um cenário que exige dos gestores públicos capacidade de liderança com sensibilidade social, tolerância e visão de futuro.

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br
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