O endereço da desigualdade social

A desigualdade social sempre acompanhou o desenvolvimento da humanidade. E os momentos atípicos de tensão causados por guerras, conflitos, crises econômicas ou pandemias, intensificam a diferença entre os mais pobres e os mais ricos.
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Pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião para a Assembleia Legislativa verificou que 7 em cada 10 gaúchos foram impactados com a pandemia, sendo que a principal repercussão foi a financeira (44,3%), resultante das medidas restritivas que impediram ou limitaram o trabalho de empresas e trabalhadores.
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De uma hora para outra os decretos foram sendo impostos e a renda foi diminuindo. Hoje, metade dos gaúchos ganham menos da metade do que ganhavam no início de 2020.
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O segundo impacto foi o emocional (23,8%), causado pelo isolamento social. Muitas pessoas tiveram a sua saúde mental afetada pelas mudanças de rotina, pela dificuldade financeira ou mesmo pela preocupação com o vírus.
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Conforme o vírus foi avançando, quase 1/5 dos gaúchos tiveram algum tipo de apoio de políticas governamentais. Do auxílio emergencial ao empresarial.
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Um contingente de 15,5% acreditava que o vírus seria breve e suas reservas seriam suficientes. O tempo passou e esse percentual de famílias não conseguiu mais ser atendido pelas ajudas governamentais e ampliaram as suas dificuldades econômicas.
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As famílias mais impactadas nos fornecem o atual mapa da desigualdade social. Esse mapa mostra a tendência clássica: a desigualdade social aumenta conforme se amplia o número de pessoas com dificuldade em garantir o sustento de sua família e de conseguir manter a saúde e a educação de todos da casa.
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O perfil das famílias mais impactadas com a pandemia é composto por aquelas pessoas com baixa escolaridade que não desenvolveram conhecimentos e habilidades para uma profissão especializada e, por consequência, não conseguiram manter uma renda fixa ou se reinventarem diante da manutenção das medidas restritivas.
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A pandemia derrubou todas as classes sociais. Quem era pobre ficou mais pobre ainda. Muitas famílias da classe baixa migraram para a classe pobre. A classe média baixa também se movimentou, recebendo pessoas da classe média. Com a diminuição da classe média, ampliou-se a desigualdade representada pelo aumento do número de pessoas que ganham pouco.
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A pesquisa demonstrou que a maioria dos gaúchos reconhece que a pandemia intensificou a desigualdade e que o caminho para a diminuição da diferença passa pela educação.
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Os entrevistados que têm mais escolaridade, indicam a necessidade de melhorar a qualidade da educação e que a mesma seja aliada a uma política de incentivo à permanência das crianças e adolescentes nas escolas. Nesse contexto, deve se incluir temas como inovação, tecnologia e ensino profissionalizante.
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Quem tem baixa escolaridade pensa em cursos de qualificação. Acredita que a inclusão social, nesse novo mundo surgido na pandemia, está associada ao conhecimento do mundo digital e que o trabalho home office foi possível para quem sabia lidar com o computador.
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O relatório da pesquisa intitulada “A Influência da pandemia na desigualdade social: Prioridades e expectativas dos gaúchos sobre medidas legislativas emergenciais para redução da desigualdade social” está disponível no link .
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https://orspospandemia.al.rs.gov.br/pesquisas/.
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