O futuro do trabalho exige qualificação técnica

O mundo do trabalho está em constante transformação. As mudanças ocorrem naturalmente pela experiência acumulada da humanidade e, principalmente, pelos conhecimentos sistematizados pela ciência e pelo avanço da tecnologia. As máquinas que estavam a serviço do homem há séculos têm ganhado uma forcinha com o advento da era digital e com a ampliação da internet.

Historicamente o trabalho traz consigo o simbolismo, a ideia de que dignifica o homem, enquanto ser humano. Provém o desenvolvimento econômico e social e permite o crescimento intelectual e profissional. Essa é a tese e a premissa que motiva a maioria das pessoas a acordar todo o dia e buscar uma oportunidade.

Entretanto, a evolução do mercado de trabalho, acelerada pelo avanço exponencial da tecnologia durante a pandemia, tem preocupado uma parcela considerável da população economicamente ativa, que não está sendo preparada para as novas tendências em curso.

Pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou três distintos testes, com uma amostra representativa de 1.500 gaúchos, para avaliar a percepção em relação à preparação dos trabalhadores para as mudanças e exigências em andamento. A expectativa é de que os empregos do futuro sejam movidos por tecnologias, fundamentados em dados, exigindo habilidades humanas com mais comunicação, escuta e interpretação.

O primeiro questionamento avaliava a leitura do entrevistado sobre a preparação do mercado de trabalho como um todo. O segundo teste questionava a preparação individual do entrevistado e o terceiro verificava a percepção do mesmo sobre a preparação dos jovens, dos novos entrantes.

A percepção sobre a preparação para o futuro tecnológico do mercado de trabalho indicou que 27,5% dos entrevistados acreditam que os profissionais estão sendo preparados. Quando relatam a sua trajetória pessoal, 35,1% afirmam que estão se preparando. E ao pensar nos jovens, 42,3% acreditam que as novas gerações estão sendo preparadas.

A pesquisa indicou que a maioria dos trabalhadores reconhecem que não estão sendo preparados para as transformações tecnológicas e digitais em desenvolvimento. A abordagem qualitativa do estudo identificou que os limitadores estão associados a três vertentes: a) a limitação de cursos públicos (em termos de variedade e de disponibilidade de horários); b) a falta de visão ou interesse do trabalhador, que não imagina ou percebe a necessidade de qualificação; c) o desconhecimento e falta de gestão das empresas que não investem em qualificação ou treinamento de seus funcionários.

O recado da opinião pública é simples: não estamos desenvolvendo uma política e uma cultura de valorização da qualificação profissional. E essa lógica tende a ser muito perversa ao longo do tempo. Os entrevistados acima de 40 anos se preocupam mais com o tema e sinalizam a sua inquietação com o novo contexto social do trabalho: a reforma da previdência exige mais anos de trabalho e o avanço da tecnologia está tirando vagas e redesenhando as oportunidades.

É vital que haja uma política pública integrada entre setor público e privado para investir e conscientizar os trabalhadores, com atenção aos profissionais jovens que precisam adentrar e aos mais maduros, que precisam cumprir seu ciclo com habilidade e competência.

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