O que é a nova política para o eleitor?

A expressão ‘nova política’ já está no discurso de muitos políticos que querem se apresentar de ‘cara nova’ ao eleitor. Mas a nova política é muito mais do que um discurso, é um posicionamento!

Em estudos qualitativos, os cientistas do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião questionaram eleitores de diversas cidades do Rio Grande do Sul sobre o significado da nova política. Afinal de contas, a nova política está associada a um comportamento (que pode vir de um político já conhecido) ou a uma imagem (ser uma cara nova na política)?

Para o eleitor, a nova política é, antes de tudo, um novo comportamento. Está associada à expectativa em relação a quem ele destina o voto. Para o eleitor, o conceito de nova política é repleto de esperança, de crença nas pessoas de bem. A maior parte dos eleitores acredita que há mais pessoas honestas do que desonestas e, para tanto, é necessário estabelecer novos critérios de seleção dos representantes a serem eleitos.

O eleitor não confia nos políticos, mas quer confiar em uma pessoa, quer depositar seu voto em quem não esteja associada às velhas práticas políticas, o que o eleitor chama de velha política: políticos que fazem conchavos, que visam ao seu próprio interesse, que não cumprem o prometido, são arrogantes e nem recebem o eleitor depois de eleitos.

Para conceituar a nova política o eleitor define características:

– Honestidade: diante de tantos escândalos de corrupção, a honestidade é a principal característica desejada. O caráter é o centro do debate. O eleitor não acredita no argumento de que a honestidade não deveria ser exigida como característica por ser um princípio-base de qualquer político. O caráter dos políticos tem sido questionado pela ausência de princípios, de escrúpulos e a nova política deve retomar a essência, a ideia de que um gestor público atua em prol da coisa pública e fala sempre a verdade.

– Transparência: Característica que está associada à honestidade e ao caráter. Quem atua na nova política deve ter a consciência de que é um servidor e não deve se servir de privilégios. Deve servir a sociedade e ter a clareza de que tudo o que administra é da sociedade. Neste contexto, a prestação de contas deve ser uma prática, deve estar no DNA.

– Compromisso com a palavra dada: O novo político precisa ser honesto e transparente, mas precisa ter condições de só prometer o que pode cumprir. O eleitor sabe que muitos políticos não são apenas demagogos, mas incompetentes: prometem o que não podem cumprir ou o que nem é de sua alçada. Citam casos de vereadores ou deputados que apresentam propostas de prefeito ou governador.

– Simplicidade: É a característica que agrega todas as demais características e dialoga subjetivamente com a imagem, com o estereótipo físico do candidato. Se o candidato tem caráter, é honesto, transparente e cumpre o prometido será alguém que fala em nome da sociedade, um membro da sociedade: “Gente como a gente”. Neste contexto, o eleitor não imagina um candidato engravatado, com gel no cabelo e postura soberba.

O eleitor pressupõe que o novo político deve ter a simplicidade de um vendedor, que agrada ao cliente, atende às suas necessidades e está sempre pronto para ajudar.

O desejo do eleitor é simples, muito simples: quer votar em quem sabe o que fazer e faz o certo! Resumindo: a nova políticapressupõe um candidato honesto, que cumpra o prometido, que tenha capacidade (sabe o que precisa ser feito), tenha transparência nas suas ações e que não se corrompa.

https://www.coletiva.net/colunas/o-que-e-a-nova-politica-para-o-eleitor,277329.jhtml

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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