O voto da preferência garante a base, o da negação pode eleger

As pesquisas de intenção de voto que estão sendo divulgadas mostram que há uma tendência de polarização entre os pré-candidatos Bolsonaro e Lula. De forma simplista, alguns analistas somam o percentual de intenção de voto em Bolsonaro com o percentual de intenção em Lula e estimam a fatia de votos que sobraria para o centro ou para uma terceira via.
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Sempre digo que a intenção de voto é o sintoma de um comportamento. O mais importante, é entender o comportamento. No caso em questão, o fenômeno que motiva essa tendência de polarização está associado a duas lógicas: preferência e negação.
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Os eleitores que intencionam votar em Bolsonaro ou Lula pela preferência, percebem seus ideais, qualidades ou feitos.
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No quesito ideais, ambos têm apoio de uma base ideológica mais radical, que faz barulho, movimenta as bolhas digitais e os dois lados possuem haters (que espalham o ódio pela internet). Essa base ideológica “late”, mas não elege.
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Quando se fala de qualidades, propostas ou realizações, os dois candidatos ganham a adesão suficiente para alcançar a marca de quase 1/5 do eleitorado brasileiro, se somar o voto ideológico.
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Na percepção dos eleitores, Bolsonaro é visto como um candidato que defende a moralidade, os valores cristãos e da família. É o candidato da segurança pública, que tem o apoio do exército.
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Naturalmente, é o candidato da antipolítica, “que luta contra as coisas erradas que os políticos fazem e é perseguido por isso”. Bolsonaro também agrada os eleitores que defendem o liberalismo econômico e confiam em Paulo Guedes.
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A preferência por Lula está associada, principalmente, por seus feitos. É o candidato que trouxe a mobilidade social, fez as pessoas crescerem com a “nova classe média” e os seus programas sociais: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Minha Casa Melhor, Prouni, Pronatec, etc. Para esses eleitores, Lula trouxe desenvolvimento econômico, social e cultural para o país. Também é o candidato das minorias, dos excluídos e daqueles que defendem os direitos humanos.
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Em que pese que os gráficos mostrem uma maior tendência de votos em Lula no eleitorado de baixa renda, não se pode dizer que um é o candidato dos pobres e o outro dos ricos. Quando se analisa a preferência de um eleitor de baixa renda por Lula, percebe-se a gratidão por um benefício recebido. Na mesma classe social de baixa renda, pode-se ouvir um eleitor de Bolsonaro o defendendo pela perspectiva de melhora do país, pela moralidade política.
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Vamos falar do voto da negação, pois é esse o movimento comportamental que irá decidir o processo eleitoral, para um dos lados ou até mesmo, para uma terceira via.
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O voto da negação não apresenta argumentos a favor de um candidato, só consegue ver os defeitos do outro. Vota em um, para tentar diminuir a chance do outro. Ou seja, ainda no primeiro turno, quase 10% dos brasileiros podem votar em Bolsonaro para tentar evitar a eleição de Lula e vice e versa.
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Na prática, é como se o voto da negação pudesse decidir a eleição. Se o voto ideológico e o da preferência mantiver Lula e Bolsonaro com uma base de 20,0%, o voto da negação deve se mobilizar e manter cada um dos lados na casa dos 30,0%, colocando-os no segundo turno. Mas não podemos esquecer que esse eleitor que vota por negação sonha com a mudança, basta aparecer um candidato competitivo para que o eleitor da negação redesenhe a história do Brasil.
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