Os entraves cotidianos da publicidade inclusiva

Errei tentando acertar, mas errei. O áudio que recebi, via “WhatsApp” dizia o seguinte: “Mas saem só brancos da universidade? Que feio! O cara que escreveu sobre o ‘padrão da comunicação’ me monta uma imagem onde só tem brancos.”.

Depois de ouvir essa mensagem de minha gerente de pesquisas, busquei compreender o porquê da minha falha. Justo eu quem dissertou uma monografia criticando a ausência da diversidade racial no espaço publicitário. A resposta para esse questionamento é simples: Há falta de representação negra na Web. Afim de cumprir o prazo de entrega do material de trabalho, precisei criar um slide com as primeiras ilustrações que a internet me proporcionava e óbvio que nenhuma delas continham ilustrações de estudantes negros. Mas esse cenário precisa mudar!

Seja na Web ou na mídia tradicional, a ausência da representatividade é uma lacuna que necessita ser encurtada, e para isso é necessário haver investimentos. Em 2016 a agência Heads divulgou um estudo feito com base em duas grandes emissoras de TV. O estudo demonstrava que são gastos aproximadamente R$ 21 milhões em mídia que reforçam estereótipos e R$ 12 milhões em mídia que empoderam a quebra desses estereótipos.

Investimentos em propagandas pluralistas foi um dos argumentos que pude constatar como forma de combater o estereótipo publicitário vigente em minha monografia realizada com pessoas negras da cidade de Pelotas. Colocar o negro como protagonista em comerciais de carros, banco e calçados apareceram como sugestões para uma publicidade mais inclusiva.

O estudo que realizei indicou que há uma preocupação do conteúdo publicitário com o público infantil, em sua visão os desenhos animados deveriam trazer personagens que representassem a diversidade étnica racial, como forma de combate ao preconceito.

Nessa linha, recentemente o canal Cartoon Network anunciou que em outubro começará a exibir os novos episódios do desenho “As Meninas Superpoderosas”, onde apresentará a nova heroína do grupo. A menina superpoderosa Bliss, será a primeira personagem negra do grupo. Ponto para a diversidade.

Ainda há muito a se fazer em relação ao mercado publicitário. Hoje, pequenos gestos potencializam-se em grandes frutos. A opinião pública tem nos mostrado que a quebra de estereótipo não é apenas um capricho ou modismo, ela é uma necessidade, e que aos poucos vai multiplicando adeptos e introjetando-se na cultura.

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