Perfil dos próximos governantes

Normalmente, no início do ano eleitoral, questionam o IPO – Instituto Pesquisa de Opinião sobre a expectativa e a tendência do eleitor em relação ao perfil dos próximos governantes.
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Como as peças do jogo político foram antecipadas, começou-se as especulações sobre as candidaturas para presidente e governador.
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No cenário gaúcho, o governador Eduardo Leite, contrário à reeleição, foi lançado como candidato a presidente da república já pontuando com uma média de 2,5% nas pesquisas de opinião, chegando a 8% na região sul no país. Naturalmente, esse movimento causou um efeito dominó, movimentando outras pré-candidaturas dentro do Estado.
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O cenário eleitoral nacional se mantém efervescente pela campanha eleitoral permanente do presidente Bolsonaro, que mantém uma narrativa de polarização. E foi intensificada pela obtenção dos direitos políticos do ex-presidente Lula.
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Nesse contexto, toda e qualquer análise de pesquisa eleitoral deve ser feita com muita parcimônia. Não vivemos um momento de estabilidade comportamental, vivemos um momento de crise.
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Quando se vai para a rua e escuta o eleitor, temos o seguinte cenário:
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1º) A pandemia cria uma instabilidade no comportamento eleitoral. As medidas restritivas que alteram o cotidiano do eleitor, também alteram as suas dores e expectativas. Os desejos de ontem, não são os mesmos de hoje e podem ser diferentes amanhã. Os testes projetivos indicam que o desejo do eleitor é pela normalidade, quer ter o que perdeu! Quer poder trabalhar, sair de casa, estudar e passear.
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2º) As pautas desse momento estão associadas à manutenção ou à sobrevivência: saúde, vacinação, economia e assistência social. Pela conjuntura, a educação é um tema represado na pauta, mas que irá florescer quando a pandemia arrefecer. Com o isolamento social, o tema da segurança pública tem ganhado novos contornos e o eleitor se preocupa com os golpes e os crimes virtuais, cada vez mais comuns.
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3º) Com a dicotomia Bolsonaro e Lula ativada, em termos de narrativa, muitos eleitores se sentem pressionados a escolher um, com a premissa de neutralizar o outro. Esses eleitores, motivados pela dicotomia, almejam por um candidato ético, que tenha a capacidade de “evitar conflitos e trazer resultados”. A frase de senso comum é: “precisamos de alguém que roube e brigue menos e que faça mais.”
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4º) No RS a maior parte dos eleitores não sabe quem são os possíveis candidatos. Com o agravamento da pandemia e a bandeira preta ao longo do mês de março, os eleitores estão preocupados com as medidas que serão tomadas para amenizar os efeitos da pandemia na vida da população. Quando pensam no próximo ciclo, desejam um governador que tenha a capacidade de colocar o Rio Grande nos eixos. Esperam que o Rio Grande vença a pandemia e o seu déficit financeiro.
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5º) Na prática, o eleitor não está com a cabeça no processo eleitoral. Nesse momento, as intenções de voto para presidente e governador refletem o estado de espírito de um eleitor preocupado, temeroso e com altos níveis de antipolítica. A intenção de voto desse momento está sendo movida pela negação, não pela crença.
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