Precisamos da solidariedade do beija-flor

Você já parou para pensar que o começo do século 21 está marcado por um evento de grandes proporções, como nunca visto anteriormente? É uma guerra sanitária, contra um inimigo invisível que se chama Covid-19.

E, como em todo estado de guerra, as famílias mais carentes são sempre as mais vulneráveis. As prefeituras estão acostumadas a atender famílias carentes através da rede de proteção social, que utiliza o cadastro único, o bolsa-família como referência. As instituições de caridade também têm o seu público-alvo, as famílias que são cotidianamente amparadas.

O isolamento social foi criado, o comércio foi fechado e um grande grupo de famílias se tornou vulnerável, vivendo com a pouca comida que tinham em seus armários. Estou falando das famílias dos trabalhadores informais e dos autônomos. Até o meio de março, essas famílias se viravam dignamente, sem precisar de ajuda. Podemos pensar em pipoqueiros, manicures, massagistas, catadores, faxineiras, chaveiros, vendedores autônomos e tantos outros trabalhadores que nos prestam os mais variados serviços.

Depois de quinze dias sem renda, esses trabalhadores já começam se se preocupar e não estão acostumados a pedir ajuda. O governo federal irá liberar ajuda, uma bolsa de R$ 600,00 mensais para cada trabalhador que está sem renda, o chamado CORONAVOUCHER. Esse valor será um alento para esses trabalhadores, que terão que se virar para comprar comida, pagar contas básicas como gás, medicação, luz elétrica e água.

Na prática, temos que ter consciência de que esses trabalhadores precisarão de muita solidariedade durante esse período de isolamento, que exige alimentação mínima para que as pessoas tenham condições de esperar o pico da pandemia, que se aproxima.

Na prática temos uma grande batalha por vir e não estamos preparando os nossos soldados, que precisam estar minimamente alimentados. Analisando esse cenário me lembrei do sociólogo Betinho, que contava uma fábula para motivar o sentimento de solidariedade. Ele contava que houve um incêndio na floresta e enquanto todos os bichos corriam apavorados, um pequeno beija-flor ia do rio para o incêndio levando gotinhas de água em seu bico. O leão, vendo aquilo, perguntou: “Ô beija-flor, você acha que vai conseguir apagar o incêndio sozinho?” E o beija-flor respondeu:  “Eu não sei se vou conseguir, mas estou fazendo a minha parte”.

Estamos vivendo um grande “incêndio”, com muitas famílias de trabalhadores informais que precisam de cestas básicas e material de higiene. Precisamos de muitos beija-flores, cada um de nós precisa fazer a sua parte, do jeito que dá e onde pode. Ajude financeiramente a sua faxineira, a sua manicure, o guardador de carro da esquina ou quaisquer trabalhadores informais que você conheça. Doe uma cesta básica, faça máscaras de tecido, entregue material de higiene ou oriente famílias a se cadastrarem no APP que o governo irá liberar.

Sou um beija-flor, em Pelotas estou coordenando, pessoalmente, uma frente de beija-flores que auxiliam três entidades que representam comunidades carentes na cidade: ONG Anjos e Querubins (Pestano e Getúlio Vargas), Projeto Jovem Atleta (Getúlio Vargas) e Escola de Samba Mirim do Mickey (Navegantes). Se você quiser contribuir, entre em contato pelo whats (053) 99192-0441, com Carlos de Oliveira.

Seja um beija-flor, faça a sua parte e não permita que as pessoas morram com o Coronavírus por estarem desnutridas, sem alimentação.

Eis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM)
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