Ser idoso no Brasil

No Brasil, quando chegamos aos 60 anos somos considerados idosos e temos um estatuto próprio, o Estatuto do Idoso. Futuramente, esse recorte etário que conceitua idoso provavelmente será revisto, tendo em vista que o projeto da reforma da previdência prevê que a idade mínima para aposentadoria das mulheres seja de 62 anos e para os homens de 65 anos.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião questionou os gaúchos sobre o recorte etário que fundamenta o conceito de idosos, aplicando a seguinte pergunta: “Em sua opinião, tendo em vista a sua experiência com amigos e familiares, uma pessoa com 60 anos deve ser considerada idosa?”.

– 59,4% consideram que idoso deve ser considerado a partir de 60 anos;

– 38,2% dos gaúchos avaliam que a idade deve ser revista;

– 2,4% não souberam avaliar.

A população idosa vem aumentando no País, fruto da ampliação da expectativa de vida e da crescente diminuição da taxa de natalidade. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 1940, a expectativa de vida era de 45,5 anos. Na virada do milênio, a expectativa de vida era de 69,8 anos e, hoje, temos uma expectativa de vida de 76 anos (no RS de 77,8 anos). Lembrando que essa expectativa de vida varia de região para região, tendo em vista a melhoria das condições de vida da população.

O País vem desenhando um contexto com menos jovens e mais velhos. No censo de 2000, a população idosa representava 10,5% dos gaúchos. No censo de 2010, correspondia a 13,8% e, neste ano, os idosos são 18,19% da população. Para termos uma ideia, somos 11.377.239 gaúchos e, destes, 2.069.520 são idosos. E o IBGE estima que a população acima de 60 anos seja de 24% em 2030.

E se o idoso ocupa um maior percentual de representação na sociedade, também terá uma maior capacidade de eleger candidatos que estejam associados à sua pauta. Em 2019, os idosos representam 23,6% do eleitorado. Segundo o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) o Rio Grande do Sul tem 8.274.390 eleitores, e, destes, 1.953.091 são idosos. Para termos uma ideia desta força, o Estado é representado por 31 deputados federais no Congresso com uma média de votos de 107 mil. Significa dizer que os idosos poderiam eleger vários deputados federais, na hipótese de votarem de forma classista (em quem defende o segmento e as pautas dos aposentados).

Em sua maioria, os idosos de hoje foram os filhos, os pais e os trabalhadores de pouco tempo atrás. Nasceram no milênio passado, na década de 1960, quando a televisão ainda não fazia parte dos lares gaúchos. Nada era fácil naquela época, muito menos o acesso à educação e à saúde.

E por mais que evoluímos, a vida do idoso não é nada fácil. Mais de 65% dos brasileiros idosos vivem com um salário mínimo. São 20,3 milhões de aposentados no Brasil e, segundo o IBGE, ¼ destes aposentados voltam ao mercado de trabalho. E quase a metade desses idosos são os principais responsáveis pelo sustento da casa.

Mais de 70% dos idosos utilizam o SUS (Sistema Único de Saúde) e como utilizam de dois a cinco medicamentos por mês, gastam 10% da renda na farmácia (mesmo contando com medicamentos da rede pública e da farmácia popular).

Como o mundo está mudando, os idosos também estão mudando e se conectando ao mundo digital. Pesquisa realizada pelo IPO no Rio Grande do Sul indica que 87,5% dos gaúchos estão conectados às redes sociais. Quando pensamos na população idosa, são mais de 62% conectados às redes sociais, utilizando a internet como fonte de entretenimento, relacionamento e informação.

http://www.coletiva.net/colunas/ser-idoso-no-brasil,301819.jhtml

 

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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