Um 2019 com mais verdade, simplicidade e empatia

Desde de pequena ouço a expressão: “ano novo, vida nova”. Cresci, e como profissional passei a ouvir as avaliações, julgamentos, percepções, desejos e expectativas das pessoas. Entra ano e sai ano e tenho visto que a vida pode até ser nova, mas o comportamento tem sido cada vez mais velho.

Durante o ano de 2018 aprendi que a sociedade está muito cansada, chateada e indignada com tudo o que tem acontecido no país. Preocupada com a situação da saúde e da segurança pública. E principalmente, saturada da imoralidade política, com a tão citada “corrupção no Brasil” (com 29.600 menções do termo no Google, em dezembro 2018).

O desejo da sociedade é simples e não se restringe apenas a uma mudança no comportamento dos políticos. A sociedade almeja por uma mudança no seio da própria sociedade. Estou falando da vertente da corrupção, do jeitinho brasileiro. Essa prática social que está implícita no cotidiano e nos leva a desrespeitar o outro, que nos leva tirar vantagem do outro e que nos leva a usurpação e é a base da corrupção.

Pessoas de diferentes regiões, classe sociais e idade relatam a sua percepção sobre a política, sua avaliação sobre os rumos da sociedade e sobre o comportamento de sua rede de relacionamento (família, amigos e vizinhos). Em comum, a contextualização sobre os problemas, as decepções, o desejo de mudança e a esperança com dias melhores, com mais respeito ao outro. Na maior parte dos depoimentos se destaca a premissa de que precisamos equilibrar os direitos com os deveres.

De uma forma geral, as pessoas desejam que três palavras se tornem rainhas em 2019 e guiem os políticos e a sociedade como um todo: a verdade, a simplicidade e a empatia.

Verdade: na percepção da maioria, boa parte de nossas mazelas sociais estão relacionadas a mentira. Toda a mentira faz mal, seja a mentira dos maus políticos, dos que abusam do poder, das pessoas que enganam outras pessoas, das pessoas que traem e até das Fake News.

Simplicidade: a simplicidade desejada chega a ser complexa, pois inclui várias perspectivas e está associada a verdade. Em primeiro lugar, a população reclama dos órgãos públicos usando o velho dito: “criam dificuldade para vender facilidade”. Quando a sociedade pensa no Estado, pensa em burocracia, em dificuldades e neste contexto emerge o desejo por simplicidade, no sentido de simplificação.

Mas a simplicidade também está associada ao debate da qualidade de vida, ao desejo de uma vida mais leve, sem preconceito, sem perseguição, sem hipocrisia, sem ostentação e sem supremacia de uma pessoa sobre a outra.

Como a simplicidade não é simples, ela também é relacionada a linguagem, a forma de comunicação e a socialização do conhecimento. A informação que é levada a sociedade precisa ser clara, objetiva e com propósito, “se o poço é tão fundo que ninguém consegue beber, o poço não serve como poço”.

Empatia: o mais importante de todos os desejos e que está associado a verdade e a simplicidade. A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e por este princípio básico a empatia seria a grande vacina no jeitinho brasileiro. Isso exige um exercício de cidadania, o meu direito acaba quando começa o do outro. Motiva a reflexão, e se fosse comigo, iria gostar?

Desejo um ano novo com muita reflexão e que a verdade, a simplicidade e a empatia façam parte da vida nova, neste novo ano. Feliz 2019!

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