Usamos a internet e a internet nos usa

A relação entre seres humanos e máquinas se torna cada vez mais simbiótica, o celular parece quase uma extensão do nosso corpo e está sempre na palma ou ao alcance da mão. É muito difícil esquecermos o celular, pois ele nos acompanha em todos lugares, está perto de nós durante a noite e é a primeira coisa que damos atenção pela manhã. Isso quando não vai para o banheiro conosco!

Em média, usamos o celular três hora por dia, o que cria a sensação de que temos cada vez menos tempo e essa praticidade nos instiga a perguntar de tudo para o Google. Consultamos, pesquisamos as coisas mais variadas: informações, receitas, músicas, endereços, produtos, marcas e até a vida de outras pessoas.

Tudo fica mais fácil com a internet, ela nos ajuda a encontrar uma localização, a nos aproximar de uma pessoa a encontrar um livro antigo ou até mesmo comprar um produto do outro lado do mundo.

Cada um de nós sabe o quanto usa a internet e qual a importância da mesma em seu cotidiano. O que não sabemos é o quanto somos usados pela internet?

A internet nos monitora o tempo todo e usa as nossas informações de muitas formas, fazendo vigilância do comportamento da sociedade, onde cada indivíduo pode ter o seu comportamento analisado.

Se pesquisarmos o preço de um produto na internet passamos a receber várias propagandas do mesmo produto ou da concorrência. E quando saímos de uma loja ou restaurante podemos receber uma pesquisa de avaliação da experiência.

Nossos passos são monitorados e a internet pode saber onde passamos e qual a rota que utilizamos, triangulando nossos trajetos cotidianos, quando permitimos no smartfone o acesso à nossa localização. O sistema consegue saber mais de nós do que nós mesmos, pois organiza informações sobre nosso trajeto, nossos hábitos, comentários e até sobre nossos medos e desejos.

A internet sabe tudo o que perguntamos para o Google, o nosso histórico de buscas. Sabe os arquivos que transferimos, onde tiramos as fotos, os vídeos que baixamos e tudo o que postamos nas redes sociais, incluindo o que apagamos. Na prática estamos deixando pegadas digitais que podem ser monitoradas, analisadas e utilizadas.

Atualmente nossas pegadas digitais já estão sendo usadas pelo marketing digital e, principalmente, pelo marketing de geolocalização, alavancada pela tecnologia de GPS (Sistema de Posicionamento Global).

Como o sistema sabe onde estamos e do que gostamos irá nos enviar propagandas, matérias publicitárias ou nos envolver em novas experiências virtuais que nos propiciam uma sensação de bem-estar (como fazer uma simulação sobre o melhor ângulo para assistir a um show ou partida de futebol ou ter acesso à informações do estoque de uma loja física perto da nossa casa, sem precisar falar com o vendedor).

Os sites de busca usam as nossas informações para personalizar o nosso comportamento e possibilitam que as marcas nos localizem e nos impactem com suas estratégias de mercado. E as redes sociais fazem a mesma coisa, nos monitoram e nos transformam em um consumidor que acredita que está empoderado, que é dono de sua timeline, mas que na prática é um consumidor passivo que é monitorado e influenciado de uma nova forma. A internet é uma grande ferramenta e temos o grande desafio de entendê-la e monitorar sua evolução.

 

http://www.coletiva.net/colunas/usamos-a-internet-e-a-internet-nos-usa,323653.jhtml

 

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

 

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