Vivemos uma fase de revelação

Por princípio, as transformações de uma sociedade ocorrem a partir de uma revisão de conceitos, da revelação de uma nova realidade. Ocorrem quando entendemos um novo contexto, principalmente, quando sofremos um baque, de sofrimento ou de dor. Mudamos quando somos “sacudidos” e nos obrigamos a “olhar” nossas práticas e nossas crenças.

Tecnicamente, a mudança ocorre quando há um “gatilho”, como por exemplo, a perda do emprego, doença, separação ou morte.

E, nesse momento, estamos passando por uma mudança. Uma nova realidade está sendo revelada e estamos tentando entender. Vivemos uma guerra sanitária contra um inimigo invisível e o mundo não estava preparado para esta guerra. Na verdade, ainda estamos tentando entender, se realmente há uma guerra. Muitos, só vão acreditar quando alguém próximo se for. Outros, com mais sorte, vão acreditar que era só uma “gripezinha”.

Toda guerra traz uma ruptura, um marco histórico. O Coronavírus nos obrigou a sair da zona de conforto e está “sacudindo” as famílias, as cidades e o mundo! A nossa rotina mudou, a escola fechou e a economia está de ponta a cabeça, com muitos estabelecimentos fechados e pessoas sem saber como vão pagar as contas. Não temos noção do número de desempregados e sabemos que os informais estão passando muitas necessidades e começando, inclusive, a passar fome.

De repente, o certo virou incerto e a rotina precisou ser redesenhada. Não podemos ir ao cinema, não podemos fazer uma festa de aniversário, não podemos visitar nossos pais e avós e temos medo de ir até mesmo ao supermercado.

Por um lado, essa mudança é assustadora para uma sociedade que vinha acentuando uma tendência individualista, consumista e formando gerações cada vez mais egoístas. Por outro lado, essa ruptura pode nos ensinar muito se percebermos os sinais. Essa guerra pode retomar os sentimentos de fraternidade, de solidariedade e de compaixão.

Temos que parar e prestar atenção nas lições dessa pandemia! Primeiramente, temos que “olhar” para dentro de nós e descobrirmos quem somos? No que realmente acreditamos? O que queremos para nossa vida? O que vale a pena? Na prática “temos que tirar uma selfie da nossa alma”.

Não é uma tarefa fácil. Pois essa reflexão exige “olhar” para dentro de nós mesmos. Se fizermos isso, de forma verdadeira, vamos verificar que não existimos sem o outro, que a vida não tem sentido se não pensarmos coletivamente.

Esse movimento vai nos ensinar o que os nossos avós sabiam muito bem: que precisamos do sentimento de comunidade, de coletividade, ajudando e apoiando uns aos outros. Temos que ter a consciência de que um precisa do outro!

É um momento ímpar da história do século XXI, é um momento único de nossas vidas e temos que aproveitá-lo para descortinar nossos sentimentos, rever nossas mazelas e superar nossos medos. É o momento que devemos dizer o que sentimos, perdoar quem precisa ser perdoado, mas principalmente, é o momento de ajudar a quem precisa ser ajudado.

Não perca a oportunidade de mudar, de tornar-se um ser humano melhor! Permita que a pandemia lhe ensine a ter mais empatia, a se colocar no lugar do outro! Olhe para além de seus problemas, olhe para além da sua janela, olhe para o outro e estenda a mão para quem precisa.

Como é um momento de revelação e de transformação, veja como você pode ajudar: seja com trabalho voluntário, seja com doação, seja com consolo, com uma palavra amiga ou até mesmo com a sua fé!

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br
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