A expectativa do gaúcho com a saúde no pós-pandemia

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou mais uma pesquisa para avaliar a projeção dos gaúchos para o pós-pandemia. O estudo denomina-se “Os impactos da pandemia na saúde: prioridades e expectativas dos gaúchos sobre medidas legislativas emergenciais na área da saúde”. O relatório de pesquisa está disponível no site da Assembleia Legislativa.
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A pesquisa começou mapeando o grau de utilização do SUS – Sistema Único de Saúde. Verificou-se que 80,3% da população utiliza o SUS (sendo que 50,9% utiliza unicamente o SUS e 32,3% são usuários híbridos, intercalam o atendimento do SUS com o de convênios clínicos, consultas ou exames particulares. Se o tema for internação hospitalar, 8 de cada 10 gaúchos vão precisar do SUS.
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Dentre os que utilizam o SUS, o nível de satisfação é de 65,8% (avaliação ótima ou boa), sendo que 1/3 dos gaúchos criticam o SUS (com avaliação mediana ou negativa). Os que criticam são aqueles que tiveram uma experiência negativa ou ainda estão tentando resolver uma demanda como exame, especialista ou cirurgia eletiva. Nesse contexto, a principal reclamação está associada à demora do atendimento e ao tempo de espera. Esses usuários indicam que haja um regramento, uma tabela de tempo limite para espera conforme o tipo de necessidade.
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O exemplo mais latente diz respeito às suspeitas de câncer, avaliam que a Assembleia Legislativa precisa tipificar o tempo limite aceitável para um exame, para uma biópsia e para o início do tratamento.
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A falta de estrutura ganha força quando se compara a percepção sobre o problema corriqueiro da saúde com os problemas causados pela pandemia. A pandemia intensificou a leitura de que o sistema de saúde não estava preparado para o atendimento das necessidades em escala. Indicam que os leitos que foram abertos para o tratamento da Covid sejam readequados para o tratamento não Covid, dando fluidez às cirurgias eletivas represadas.
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Os gaúchos se preocupam com a futura gestão das demandas reprimidas da saúde (especialistas, exames e cirurgias) e com uma política de tratamento das sequelas da pandemia. Para tanto, no que se refere às demandas reprimidas, indicam que a Assembleia apoie ou motive políticas públicas ou apresente uma regra emergencial para que as Prefeituras possam comprar vouchers de atendimentos, para que haja rapidez na resolução de exames ou consultas com especialistas (como oftalmologistas, cardiologistas, etc).
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No que diz respeito às sequelas físicas da pandemia, há preocupação com a forma de organização das estruturas de atendimento do pós-pandemia. Indicam que haja o atendimento especializado para as pessoas que apresentam ou apresentaram sintomas. Os entrevistados resgatam o exemplo do atendimento integrado (com vários profissionais) e sistêmico para as vítimas do incêndio da Boate Kiss. Sugerem que haja postos de saúde que estejam preparados para acompanhar e tratar da evolução dos casos.
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O tratamento das sequelas emocionais da pandemia também preocupa a população. As pessoas que se mantém em isolamento social até hoje sinalizam que precisam de ajuda para superar o medo de contaminação, os efeitos da ansiedade e até a sensação de fobia quando pensam em voltar ao relacionamento social. E não podemos esquecer que muitas das pessoas são gestores de crianças e adolescentes, que estão em aulas remotas.
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