A política decide as leis e as leis afetam a sua vida

Meu trabalho cotidiano como pesquisadora é o estudo do comportamento da sociedade. Suas autoavaliações, a percepção das pessoas sobre sua família, sobre o seu trabalho e a educação, sobre mundo em que vivem, sobre o consumo que fazem e também sobre a política.

Sempre digo, se entendermos a opinião das pessoas, entendemos o mundo, pois a opinião move o mundo.

As pesquisas indicam que as pessoas estão de “saco cheio” da política e não confiam nos representantes do País. Quando se fala em partido político, apenas 6% dos brasileiros confiam nessas instituições. E a desconfiança afeta diretamente o Senado Federal, com somente 15% de confiança dos brasileiros, e a Câmara dos Deputados com apenas 11% de confiança. Quando pensamos em Câmaras de Vereadores, dependendo da cidade, é normal encontrarmos um percentual na casa dos 20% de confiança. Significa dizer que a maioria não confia nos políticos!

Quando escrevo um artigo como este, é comum alguém me questionar: “Se você sabe que a maioria não gosta de política e não confia nos políticos, porque escreve sobre o tema?” Respondo: “Como sou uma cientista política por vocação e formação, sei que a política decide a vida das pessoas e as pessoas não devem ignorar as decisões políticas que irão dizer o que elas podem ou não fazer.

A política decide se vai ter uma maternidade ou uma UTI neonatal em uma cidade e a política decide uma lei que diz que se há suspeita de câncer os diagnósticos devem ser realizados em até 30 dias pelo SUS.

Por isso, temos que salvar a política. E para salvar a política o primeiro passo é se informar e ter o hábito de conversar sobre o tema, afinal de contas, a nossa constituição diz que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos”. Se escolhemos alguém para falar por nós, temos que saber o que ele fala e se não concordarmos, temos que externar nossa discordância ou usar o silêncio do voto para mudar.

A falta de confiança na política e nas instituições representativas é resultado do descrédito que se amplia com a percepção de que os políticos trabalham para tirar vantagem para si mesmo e para os seus. Para a população, o grupo que está no poder se preocupa em atender aos seus apoiadores ou simpatizantes.

E essa percepção não vem do nada! Ela tem sido historicamente construída pela forma como os partidos atuam e se relacionam com a população ou, na verdade, não se relacionam.

O tempo vai passando e a indignação da população com os partidos vai aumentando, e os partidos não fazem nada para alterar as suas práticas, para ampliar o envolvimento e a confiança da sociedade. E não o fazem porque é cômodo governar sem o envolvimento da sociedade.

Alguém pode “pular” e dizer que a participação migrou para o mundo digital e que as pessoas dão a sua opinião através das redes sociais e que há o ativismo político digital de forma permanente.

É fato que as redes sociais são uma importante ferramenta de pressão popular, que têm influência sobre temas polêmicos que ganham o apoio de formadores de opinião ou da mídia nacional e internacional.

Mas, via de regra, as decisões políticas continuam sendo realizadas como sempre foram: pelo pequeno núcleo que detém o poder de uma cidade, de um estado ou do país.

Para alterar a prática dos partidos e dos políticos, precisamos alterar a prática da sociedade começando pelo interesse e envolvimento com o tema!

 

http://www.coletiva.net/colunas/a-politica-decide-as-leis-e-as-leis-afetam-a-sua-vida,347276.jhtml

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br
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