A posição dos gaúchos sobre o repasse de recursos para os direitos humanos

Na atualidade um dos temas mais controversos da sociedade brasileira está relacionado aos direitos humanos. Há muitas polêmicas sobre quem infringe esse direito? E quais obrigações e deveres o Estado tem com o infrator e vice e versa.

Mas o que se debate sobre os Direitos Humanos são os direitos básicos de todos os seres humanos, tais como: direitos civis e políticos, como direito à vida, à propriedade, liberdade de pensamento, de expressão, de crença, igualdade formal. Ou seja, todos são iguais perante a lei, possuindo direito à nacionalidade, direito de participar do governo do seu Estado, podendo votar e ser votado, entre outros direitos fundamentados no valor de liberdade.

No primeiro momento pode se pensar em Direitos Humanos associados exclusivamente à criminalidade e a segurança pública. Mas o sociólogo Gustavo Venturi, organizador do livro Direitos Humanos e a Percepção da Opinião Pública dos Brasileiros[1], revela que Direitos Humanos não se relaciona exclusivamente às questões de segurança pública. O autor reconhece o caráter universalista dos Direitos Humanos e sua relevância para o bem comum, assim como reivindica esses direitos e apoia políticas voltadas para sua promoção sempre que propostas. Em que pese à existência de contradições particularmente em relação a políticas no campo da segurança pública.

Diante deste debate nacional, o IPO – Instituto Pesquisa de Opinião realizou uma pesquisa que verificou a opinião dos gaúchos sobre o repasse de recurso do governo federal para os direitos humanos.

Aplicou-se a seguinte pergunta aos entrevistados e ofertou-se as seguintes opções de resposta: Bolsonaro diz que se eleito a ‘bandidagem vai morrer’ porque o Governo não repassará recursos para os direitos humanos. Qual a sua posição sobre esta frase, o(a) Sr.(a) é favor ou contra?

Há uma divisão de opiniões, 44,7% é a favor, 44,9% é contra e 10,5% não sabem opinar sobre a frase do Presidente. Analisando o perfil de quem é a favor, verifica-se que destaca na região Nordeste (58,4%), na região Metropolitana (47,5%), na Sudoeste (47,1%) e na região Oriental (45,9%).

O perfil socioeconômico destes gaúchos que são favoráveis é composto na sua maior parte pelos homens, de 25 a 34 anos, com ensino médio, de renda familiar de 3 a 5 salários mínimos, sendo população econômica ativa (trabalhadores).

Dos 44,9% que são contrários a afirmação do Presidente Bolsonaro, o perfil é formado por mulheres, de 16 a 24 anos, com ensino superior, e renda familiar acima 5 salários mínimos, compondo a população econômica inativa, que não trabalha. Essa posição é maior entre os gaúchos das regiões Sudeste (53,6%) e Ocidental (58,7%).

A pesquisa demonstrou que a população gaúcha está muito dividida sobre o tema. E a nível nacional e mundial o cenário também é o mesmo, principalmente porque o tema dos direitos humanos carece de debate e reflexão. Tanto pela ausência e falta de políticas públicas relacionados ao tema como pelo fato dos direitos humanos ser relacionado a criminalidade e a falta de segurança.

 

 

O relatório na integra está disponível:

http://camp.org.br/files/2016/06/Rel-Pesq-Direitos-Humanos-Proj-EDHESCA-CAMP.pdf

 

 

 

Izan Müller da Silva, cientista da área da gestão, formado em administração de empresas e especialista em Gestão de Projetos. É desafiado por projetos complexos, em que consiga transformar números em conhecimento. Como analista esteve à frente de projetos para Ecosul, Triunfo, AGERS, Fisa, Labore, Sil Ambiental e Grupo Solvi.

[1] VENTURI, Gustavo (Org.), Diretos Humanos Percepções da Opinião Pública. 1. ed. Brasília: Secretaria de Diretos Humanos da Presidência da República, 2010. 274 p.

 

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