Apenas 2 de cada 10 gaúchos podem trabalhar remotamente

A virada do ano nos fez lembrar de todos os impactos da pandemia na nossa vida. Ela bagunçou a nossa forma de viver, de trabalhar, de estudar e até de consumir.

Mas, sem dúvida nenhuma, o isolamento e o distanciamento social prejudicaram em demasia nossa capacidade de produzir, de desenvolver o nosso trabalho. Para driblar as dificuldades impostas pelas sucessivas medidas restritivas veio o prefixo “re”, que entrou em nosso cotidiano como reforço, como revisão de nossas práticas. Passamos a nos reorganizar, replanejar, redesenhar e, principalmente, nos reinventar.

A reinvenção ganhou uma forcinha da tecnologia e a internet abriu um canal de comunicação direta para o trabalho remoto.

Pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião investigou a influência da pandemia no futuro do trabalho e mapeou o número de gaúchos que possuem atividade laboral compatível com o trabalho home office, que conseguiram trabalhar de casa durante a pandemia.

O estudo identificou que 20,7% da população têm como realizar o seu trabalho de casa. Para 3,5%, apenas parte do trabalho tem como ser realizada de casa. Verificou-se também que 17,6% dos gaúchos não trabalham e não exercem nenhuma atividade ocupacional, mesmo que seja de caráter social, e para 58,2% da população, não era possível trabalhar remotamente. O “fique em casa” não era possível para a maior parte dos gaúchos.

A pesquisa colocou a lupa nos 24,2% que conseguem trabalhar remotamente (sempre ou parcialmente) e investigou a percepção desse grupo sobre a experiência do trabalho remoto: 70,2% avaliaram a experiência como positiva, 22,9% indicaram que a experiência foi negativa e 6,9% não tinham uma opinião formada por considerar que a experiência foi compulsória, era necessária.

Os trabalhadores que avaliaram a experiência remota como positiva, indicam que a primeira vantagem é a inexistência do deslocamento (25,9%), outro grupo destaca a ampliação do tempo com a família como o maior benefício (19,6%), um terceiro grupo indica que o trabalho remoto ampliou a concentração e a produtividade (14,4%) e para 13,8% o ponto de destaque é que o trabalho remoto diminuiu os custos fixos da empresa e evitou demissões.

Para 51,7% dos que consideram negativo o trabalho home office, a percepçãoestá associada à necessidade de manter a interação social presencialmente. Houve quem tivesse perdas financeiras por trabalhar em casa e não fazer mais horas extras (18,0%). Se teve quem gostasse da privacidade e organização do trabalho em casa, também teve quem sentiu a produtividade diminuir com o trabalho remoto (15,7%).  E para 4,8% a experiência foi negativa pois faltou infraestrutura/acesso à internet de qualidade.

            Os entrevistados reconhecem que o trabalho remoto se mistura com a vida social e familiar, 61,5% concordam com essa tese e registram que a experiência exigiu muita paciência e habilidade para driblar os desafios que se colocavam na execução do trabalho em casa. Esses desafios estão associados à estrutura inadequada das casas (seja pelo mobiliário não ergonômico, seja por falta de uma área privativa), à quantidade de poluição sonora (com todos os barulhos típicos de uma área residencial – crianças, animais, vendedores), e pelas limitações de estrutura tecnológica, incluindo o acesso ao sinal de internet.  

            A pandemia criou uma nova forma de organização social do trabalho.

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