As cinco dimensões culturais que configuram o ambiente corporativo

Ética advém do grego ethos que, além de costumes e hábitos, significa morada, “a casa” dos homens. Desde, pelo menos, a Grécia Antiga, portanto, já se tinha a ideia de que a origem de uma pessoa viria a configurar a forma com que ela se relaciona com o mundo e com os outros: pertencer a uma cultura seria estar em casa. Se há mais de dois mil anos essa concepção já era clara, a cultura nunca teve um papel tão importante quanto na globalização.
Olhemos o caso da IBM, maior empresa de TI do mundo, com aproximadamente 400.000 funcionários. Símbolo de modernidade, a companhia não padronizou de forma absoluta o comportamento de seus colaboradores mundo afora; pelo contrário, ela se tornou o laboratório de estudos culturais. Foi analisando os escritórios da IBM em mais de 60 países que o psicólogo social Geert Hofstede identificou nuances nas formas com que os trabalhadores se comportavam frente aos processos corporativos. Ele pôde estabelecer, assim, cinco dimensões culturais, cujas variações e combinações viriam a acomodar cada uma das culturas analisadas:
1) Índice de Distância do Poder: a disposição com que se aceitam estruturas de desigualdade de poder dentro da empresa;
2) Individualismo versus Coletivismo: medição da força com que os laços sociais se sustentam. Até que ponto um se preocupa com o outro;
3) Masculinidade versus Feminidade: divisão de trabalho e determinação de valores distintos por gênero. Quanto mais masculina, mais forte a separação;
4) Índice de Aversão à Incerteza: o quanto os membros de uma sociedade se sentem ameaçados pela incerteza e por situações desconhecidas;
5) Orientação de Curto Prazo versus Orientação de Longo Prazo: o quão pragmática/ científica ou o quão passiva a explicações uma sociedade é.
O estudo da IBM de Hofstede obteve o mérito de identificar nas relações profissionais que sociedades possam se aproximar em alguns aspectos, mas se afastar em relação a outros. A sociedade brasileira, oposta à norte-americana no quesito coletivismo, se aproxima a ela no que diz respeito à orientação de curto-prazo. Já em relação à tolerância a desigualdade, o Brasil fica mais próximo da Índia, que por sua vez é oposta à Alemanha.
O experimento traz duas grandes conclusões: as diferenças culturais são fragmentadas e a cultura pode ser observada nas formas mais sutis, mesmo nas relações de trabalho em uma multinacional. Na hora de gerir uma empresa, então, é fundamental que se tenha acesso a experimentos sociológicos como esse. É importante que um gestor no Brasil, por exemplo, saiba que a sociedade brasileira está no grupo dos países com maior aceitação de hierarquia e de desigualdade de poder; também, que os brasileiros, em geral, não têm alta tolerância a situações de incerteza – não demonstrando, todavia, altos níveis de pragmatismo. Essa noção de cultura está intimamente ligada à performance e aos resultados. Para fins de internacionalização corporativa, é ainda mais urgente a absorção deste tipo de análise.
No entanto, é preciso superar o experimento da IBM. O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião é ciente desse fato e é por esse motivo que traz junto da análise macrossociológica uma abordagem etnográfica, antropológica. Enxerga o entrevistado, além do mero colaborador, e busca, com a observação e com o registro, encontrar os níveis mais profundos dos hábitos, costumes e práticas cotidianas que revelam as relações pertencentes à empresa e à sociedade. Mais do que perguntar, observa; mais do que explicar, compreende. É assim que no mundo de hoje, pode-se ousar fazer ciência: olhando a partir dos gregos, e em direção ao horizonte.

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