Como o eleitor percebe o horário eleitoral gratuito?

As primeiras semanas de horário eleitoral gratuito na televisão foram acompanhadas por 1/3 dos gaúchos. Já os comerciais, dialogam com a maioria dos telespectadores durante a programação da televisão aberta, em especial, durante os telejornais e as novelas.

A audiência do horário eleitoral gratuito tende a aumentar nos próximos dias e, na última semana, tende a atingir 2/3 da população, sendo que 10% do eleitorado decidirá seu voto nos últimos dias que antecedem a eleição.

Este será um pleito muito difícil para os eleitores e que ainda estão em aberto (tendo em vista que os candidatos estão com baixa cristalização dos votos).

A dificuldade dos eleitores está associada aos seguintes fatores:

1º) Desesperança em relação à política, motivada pela percepção de que os políticos atuam em causa própria e que a corrupção e os conchavos são endêmicos;

2º) Preocupação com a economia. Diferentemente da eleição de 2014, neste ano há a percepção de que a instabilidade econômica é crescente e “atinge as pessoas dentro de suas casas” (aumento do custo de vida, ampliação do endividamento, risco de desemprego…);

3º) Leitura de que a entrega de serviços é cada vez menor, em especial, nas áreas de saúde, educação e segurança;

4º) Baixa expectativa com os candidatos com a percepção de que a maioria não tem condições de resolver os dilemas do eleitor, “criando a sensação de que será mais do mesmo”. A maioria do eleitorado não acredita que o resultado da eleição melhorará a vida da população.

Diante deste contexto, imagine a predisposição e o humor do eleitor para assistir aos programas dos candidatos na televisão.

1º) A maioria dos eleitores se mostra crítica e/ou cética em relação ao conteúdo apresentado pelos candidatos. Para eles, muitos candidatos não mostram empatia com o seu dilema e não apresentam soluções para os problemas cotidianos;

2º) Muitos eleitores se divertem com o horário eleitoral gratuito, principalmente quando passa a sequência de candidatos ao Legislativo;

3º) Alguns eleitores entram na internet quando desconfiam ou observam alguma coisa interessante. Outros se ativam quando são instigados a dialogar ou pesquisar a vida de algum candidato.

Este cenário dificulta a vida dos marqueteiros que, por sua vez, precisam “se virar nos 30” para agradar aos eleitores, tendo que se submeter ao conteúdo em detrimento da forma ou ter muita habilidade para harmonizar conteúdo e forma.

Na expectativa do eleitor um programa eleitoral de poucos minutos precisa trazer a mensagem completa: atributos do candidato + seus feitos/experiência + seus projetos (o que ele pretende para o futuro). O eleitor precisa ter a sensação de que dá para confiar no candidato, de que o candidato sabe fazer e sabe para onde ir.

Na prática, os eleitores percebem o horário eleitoral como um grande centro comercial com poucas opções de compra, com um mix restrito de produtos e de qualidade duvidosa.

Estamos falando de eleitores cada vez mais críticos e/ou apáticos que estão empoderados pelas redes sociais e emitem sentimentos negativos pela ausência de líderes que sinalizem para um futuro com esperanças.

Segundo a maioria dos eleitores (dentre os 2/3 que irão participar do pleito), a saga consiste em assistir ao horário eleitoral gratuito para avaliar as opções, conversar com sua rede de relações, pesquisar na internet e ter que escolher ‘o menos pior’ ou, até mesmo, fazer voto útil para tentar minimizar seus riscos.

https://www.coletiva.net/colunas-/como-o-eleitor-percebe-o-horario-eleitoral-gratuito,281786.jhtml

 

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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