O comportamento de consumo expressa uma personalidade

Na correria do dia a dia, na vida multifacetada de hoje, em um único dia você provavelmente assume vários papeis: mãe/pai; empregado/empregador; amigo(a); professor(a)/aluno(a); consumidor(a)…etc. O modus operandi da sociedade tem uma força sobre esses papéis e condiciona muito dos nossos comportamentos até mesmo o de consumo.

Às vezes não nos damos conta, mas a prática de consumir é mais do que necessidade. Emprega prazer, vaidade, crença, bem-estar, auto realização e uma ideia de pertencimento e forma um estilo de vida. A ideia de pertencimento está associada a identidade e é muito forte entre os adolescentes que necessitam de aceitação, de “entrar para tribo”: quem nunca ouviu um pedido dramático de um adolescente sobre o desejo de um objeto com o argumento de que precisa porque todo mundo tem ou que está na moda?

Pensando nisso o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião identificou 6 tipos de consumidores. E por autoclassificação as pessoas se enquadram da seguinte forma:

– 44% são consumidores racionais são aqueles que avaliam o custo X benefício de uma compra;

– 28% são consumidores conscientes. São os que compram pensando em suas convicções e ideias, procuram manter suas crenças quando compram;

– 12% são os impulsivos, aqueles que compram pela simples vontade, comprar lhe deixa feliz;

– 9% são os consumidores de tendência. Esses gostam de novidades, de estar atualizados e comprar os produtos da moda.

– 5% são os consumidores que não tem tempo ou não gostam de gastar. Evitam sair para fazer compras ou só saem para comprar o essencial.

– 2% são os anticonsumos. Gostam de comprar o mínimo ou apenas a matéria-prima.

Estes tipos de consumidores identificados pelo IPO podem ser analisados pelo inventário de valores desenvolvido por Arnold Mitchell, publicado em Limeira (2008), que tem como princípio expressar a personalidade por meio de comportamentos.

A segmentação do autor divide os consumidores em 8 tipos (inovadores, pensadores, realizadores, experimentadores, crentes, lutadores, fazedores e sobreviventes), conforme esquema a seguir:

A associação do método de Mitchell com a tipologia do consumidor do IPO revela que aqueles com estilo de vida idealista (pensadores e crentes) seriam os consumidores racionais/conscientes. Os que se baseiam nas realizações (realizadores e lutadores) seriam os consumidores mais próximos dos impulsivos. Por fim, o estilo de vida por auto expressão (experimentadores e feitores) seriam os consumidores de tendência.

Entretanto, para agradar os consumidores precisa-se de inovação, pois ela transpassa por todos os tipos de consumidores, sejam eles por princípios, status ou pessoas orientadas por ação. Atualmente a inovação tem sido apresentada como encantamento, a arte de surpreender o cliente.

É um ciclo vicioso: aquele empresário que não inova tende a ficar limitado. O mesmo ocorre com o consumidor que é classificado como sobrevivente (mantendo sempre a mesma lógica) e não se arriscando na inovação, na experimentação, em novas experiências.

Neste debate temos que ter presente a reflexão de que: apesar da inovação ser importante, pode ser limitada pelo acesso ao recurso. Um dilema que pode estar presente na realidade do empreendedor e do consumidor.

 

LIMEIRA, Tania M. Vidigal Comportamento do consumidor. São Paulo: Saraiva, 2008.

Débora Mello. Analista de pesquisa. Dedicada à epistemologia das ciências sociais, atua com afinco na análise de pesquisas qualitativas. Experiente em categorização e em análise de conteúdo, atuou na análise de projetos para: Grupo RBS, Rodoil, UCS, Eletrobras, Celulose Riograndense, entre outros.

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