O perfil do próximo Prefeito

Eleições municipais no meio de uma pandemia intensificam a grande pergunta de cada processo eleitoral: quais as características desejadas pela população para o próximo prefeito?

Na atual conjuntura do País e com a aproximação do pleito, essa pergunta é uma das chaves para um enigma: como será o comportamento do eleitor durante a pandemia?

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verificam que as incertezas com a pandemia ampliam a preocupação da população e aumentam a “régua” de expectativa do eleitor. O futuro prefeito precisa ser alguém que tenha muita capacidade de guiar a população na saída da pandemia e na reestruturação da cidade, em especial, na área econômica.

O eleitor está cada vez mais crítico, mas não necessariamente mais consciente politicamente. Do ponto de vista prático, significa dizer que o eleitor reclama mais, tem menos paciência e está saturado de informações advindas das redes sociais. Irá acompanhar o processo eleitoral por diferentes plataformas e tende a decidir o seu voto no tempo da política, quando as campanhas se encaminham para a sua finalização, ou seja, nos últimos quinze dias do processo eleitoral.

Os eleitores afirmam que, nesse momento, precisam de um prefeito em que possam confiar, com condições de indicar um “caminho” no meio de tantas incertezas. As características que mais se destacam, são:

– Honestidade: Elemento sempre essencial na decisão de voto. Os eleitores afirmam que a honestidade deveria ser, por essência, uma característica obrigatória. Com a continuidade das denúncias de corrupção que avançam até nos equipamentos de combate à pandemia, essa característica amplia-se e será monitorada através da “ficha limpa” do passado dos candidatos, de sua reputação. Para os eleitores, a honestidade de um político também está associada à sua capacidade de cumprir o prometido.

– Pulso firme: A reativação da cultura política personalista tem sido uma estratégia de sobrevivência dos eleitores, que acreditam que optando pela pessoa do candidato deverão primar pelo político com capacidade de mando, de gerenciamento, que “saiba administrar” e zele pelo bem público e pela execução dos serviços, “faça o que precisa ser feito”. Nesse contexto, também se destaca a expectativa por um “salvador da pátria”.

– Plano de governo factível: Os eleitores almejam por um candidato com propostas que tenham foco e primem pelas demandas essenciais em relação aos serviços públicos. Os planos de gestão da pandemia também devem estar na pauta. O desejo do eleitor é por um candidato que mostre como irá fazer a gestão da pandemia, equilibrando saúde e economia, e qual a estratégia de recursos para a vacinação da cidade.

– Moralidade pública: Essa característica nasce pós operação Lava Jato. Os eleitores exauridos com as promessas não cumpridas e com os escândalos de corrupção, rompem com o conceito da ética e se tornam adeptos do conceito da moral. Esse atributo é muito forte entre os eleitores que apoiam o Presidente Bolsonaro. O eleitor acredita na pessoa do candidato e pressupõe que a aproximação com o mesmo pode gerar a retomada do “fio-de-bigode”.

Em um cenário ímpar na história das eleições democráticas, os candidatos terão que se superar, tanto na forma de apresentação de sua biografia quanto na forma de divulgação de sua campanha, em um contexto onde o principal oponente é o vírus.

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Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br
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